E se dissessem a você que a moda do futuro será cocriada com inteligência artificial, mas ainda assim será profundamente humana? A integração entre IA generativa e moda já está presente em editoriais, coleções e campanhas: H&M com avatares recriados por IA, Hugo Boss implementando IA em conteúdos digitais, LVMH usando Agentes de IA para a experiência do consumidor.

Um exemplo é a AiDA, assistente de design de IA criada em Hong Kong com o Royal College of Art de Londres, capaz de transformar moodboards e sketches em coleções inteiras: "O sistema foi capaz de acelerar meu processo de ideação de 60 a 70%", diz Mountain Yan, designer fundador da 112 Mountainyam. É sobre ampliar o olhar do designer, não substituí-lo.

Refabric, startup de Seda Domaniç (ex-editora-chefe da Vogue Turquia), colabora com marcas como Aquazzura e Istituto Marangoni Miami: 92% dos designers que a usam dizem que já faz parte da rotina diária. Com a Refabric, tarefas repetitivas são reduzidas em até 88%, enquanto o tempo de edição e conversão de croquis para design final cai até 85%.

Apesar dos avanços fora do Brasil, ainda existe resistência aqui: medo de substituição, debates éticos sobre referências de terceiros. Mas uma IA alimentada por referências vazias só reproduz o que já existe; uma IA provocada por mentes críticas e autorais pode gerar resultados verdadeiramente novos. É o caso da Inóbvia, marca brasileira que criou uma das primeiras bolsas do mundo feitas com IA e confeccionadas no mundo real.

Como resume Imran Amed, fundador do Business of Fashion: "As pessoas mais criativas que conheço estão usando inteligência artificial em seus processos criativos." Estamos entrando em uma nova era da moda, onde código e croqui se misturam e quem sabe fazer as melhores perguntas, lidera.
Publicado originalmente no AI Business Journal.



