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Web Summit Rio | A IA não é mágica, é uma amplificadora

22 jun 2026 · atualizado em 29 ago 2026

Palestrante Michelle Douglas no palco do Web Summit Rio 2026, falando de moda e inteligência artificial · fashion tech, fashion AI e OUR SPACE

Em junho de 2026 eu palestrei no Web Summit Rio, na Arena Senac. Levei para o palco algo que eu venho percebendo nos últimos tempos, trabalhando na fronteira entre moda e inteligência artificial desde 2019. A IA pode até parecer mágica. Num primeiro momento, você pensa que ela é genial. Mas com o tempo vai percebendo que ela é, na verdade, uma amplificadora: ela multiplica o que você coloca nela.

Se você não tem repertório, ela devolve genérico. Eficiente, mas igual ao que todo mundo está fazendo. Se você tem repertório, ela multiplica a sua autenticidade. Foi essa percepção que eu transformei em palestra naquela Arena, numa conversa sobre IA e Moda.

Lógica versus vestido. A maneira mais concreta de ver isso é comparar dois pedidos. Pense em um problema de lógica, um dashboard, uma automação. Peça para qualquer IA resolver. O resultado vem parecido, e funciona. Agora peça para essa mesma IA criar um vestido. Para fazer isso bem, você precisa saber pedir: tipo de gola, tipo de manga, tecido, comprimento, caimento, aviamento, modelagem, silhueta. Se você não sabe descrever, a IA devolve um vestido genérico. A diferença está no repertório de quem comanda, não na ferramenta.

A confissão. Eu vivi isso na pele. Teve uma época em que eu estava delegando toda a minha criação de conteúdo para a inteligência artificial, porque eu queria que tudo fosse mais rápido. Em algum momento percebi que eu não estava mais criando, estava só apertando botão, e o resultado tinha deixado de ser meu. A pergunta certa é qual parte delegar e qual parte manter.

O palco da conversa sobre IA e Moda, no Web Summit Rio 2026
O palco da conversa sobre IA e Moda, no Web Summit Rio 2026

Autoria, a parte que a moda sempre soube.

Designers sempre documentaram o processo, no sketchbook, no croqui, na ficha técnica. O trabalho nunca esteve só na peça final, sempre esteve no caminho até ela. Quem documenta cada decisão pode provar autoria. Documentar é mais que uma questão ética: é o que separa o autor do operador.

Como começar.

Quem está criando coisa autoral com IA hoje sabe pedir, sabe escolher, sabe rejeitar e sabe provar que é seu. A sugestão que eu deixo é a menos atalho de todas: aprendizado contínuo. Não pare de estudar, de construir repertório, de colocar a mão na massa.

IA na moda · Web Summit · repertório · autoria

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